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Resenha histórica de Lamaçães
 
 
Actualmente situada na cidade de Braga, a Freguesia de Lamaçães confina com as Freguesias de Fraião, Nogueira, Nogueiró, S. Vítor e com Longos, concelho de Guimarães. Conhecida outrora como zona fértil e de cariz altamente agrícola, a Freguesia transformou-se numa zona habitacional da cidade, com os sectores dos serviços e do comércio a ocuparem um papel fulcral no desenvolvimento da Freguesia.
O documento mais remoto alusivo a esta Freguesia data do ano 899, numa pretensa doação de D. Afonso III de Leão, no dia da consagração do templo de S Tiago de Compostela.
Ao longo da história do Condado Portucalense que se tornou país, as referências a Lamaçães são diversas e recontam as tentativas de se apossar de tão fértil área, junto da cidade, por parte de nobres e do Cabido da Sé Catedral, já pelos anos de 1300.
Em 1570, numa escritura datada de 28 de Março e de 25 de Abril, com a assinatura de Frei Bartolomeu dos Mártires surge a capela de S. Sebastião, no lugar do Bom Real. No famoso ano da Peste Negra, que assolou toda a Europa, Lamaçães foi poupada. Daí a origem da festa da Segunda-feira de Páscoa – “Zirra-Zirra”. Uma outra capela, esta dedicada a Santo André, foi erigida em 1648, na Quinta da Torre. A actual igreja da Freguesia remonta a 24 de Agosto de 1805, data do início da sua construção, e inaugurada e benzida a 29 de Setembro de 1808.
Até 1930, a Freguesia nunca ultrapassou as 600 pessoas. O Minho Pitoresco de José Augusto Vieira, em 1887, caracterizava a freguesia como “de um solo tão fértil como pitoresco”. Os lugares mais emblemáticos revelam essa mesma matriz agrícola e a sua divisão em quintas e casas agrícolas: Arcela, Gróias, Senra, Torre, Azenha, Outeiro, Outeiral, Eira-Vedra, Silvães, Via Cova, Bouça…
A partir dos anos oitenta, do século passado, a agricultura foi sendo progressivamente abandonada, por se tornar cada vez menos rentável, permanecendo uma pequena agricultura de subsistência. A proximidade da cidade começa a pressionar a venda de terrenos e aumenta a especulação imobiliária, criando oportunidades fabulosas para o investimento na área da construção.
A implantação imobiliária, nem sempre coerente e, por vezes, mal organizada cria no Vale de Lamaçães uma nova área residencial, aumentando exponencialmente o número de moradores e de habitações, acompanhadas pela construção de grandes áreas comerciais e integrando a Freguesia na mancha urbana da cidade.
A mancha verde do Monte de Espinho prevalece, proporcionando uma área florestal à Freguesia e à cidade. A zona de Lamaçães, outrora agrícola, encontra-se agora urbanizada. Nos últimos dez anos, em termos populacionais, a Freguesia assistiu a um aumento considerável, alterando drasticamente a matriz ancestral e agrícola da Freguesia.
Ontem agrícola, Lamaçães é hoje uma Freguesia cosmopolita e heterogénea, inserida na vida da cidade e com capacidade de oferecer àqueles que a visitam uma variedade de serviços. Tentando conjugar a tradição com a modernidade, a Freguesia projecta tornar-se um forte pólo de atracção, com uma dinâmica social e económico de alto nível e capaz de se integrar de forma harmónica com os objectivos da cidade e da região. 
 
 
 
Fotos cedidas pela família Joaquim de Lima.